Para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o isolamento social e a diminuição de renda podem agravar o quadro de violência doméstica. “Todas os dias centenas de mulheres são agredidas no DF. A maior parte delas, dentro de casa por seus parceiros”, pontua Gabriel Mendes Camargos, membro da Promotoria de Violência Doméstica e Familiar de Brazlândia.
Para o promotor, o material encaminhado às vítimas é de extrema importância. “Além do risco à mulher, presenciar episódios de violência doméstica pode causar danos psicológicos irreversíveis a crianças e jovens. Saber identificar o que é violência doméstica, inclusive verbal, é crucial para ajudar a manter sua segurança e a de seus filhos”, explica Gabriel. 
A iniciativa faz parte de uma nova edição do projeto “Tardes de Reflexão”, realizado pela Promotoria de Justiça de Brazlândia. O material que foi produzido pelo Setor de Análise Psicossocial do MPDFT conta também com um questionário, no qual as mulheres podem responder questões relacionadas à situação, além de avaliar a qualidade dos atendimentos realizados pelos serviços públicos que acolhem as vítimas.

Projeto 

Realizado a cada dois meses, o projeto “Tardes de Reflexões” promove um espaço de escuta e reflexão sobre a violência na atualidade, além de explorar aspectos da Lei Maria da Penha. A iniciativa tem um caráter educativo e preventivo, com o objetivo de oferecer informações sobre os serviços disponíveis em Brazlândia para atendimento a autores, vítimas e famílias em situação de violência doméstica, além das formas de acesso às políticas sociais. 
Com as medidas de distanciamento social, a Promotoria da região percebeu a necessidade de manter a rede de apoio para as mulheres vítimas, mesmo que por mensagens. 
Segundo informações do Ministério Público, cerca de 89% dos homens participantes do “Tardes de reflexão”, em 2018, não estiveram envolvidos em novos episódios de violência doméstica no ano passado. A taxa de comparecimento também se manteve alta em 2019, com 72% dos convidados presentes. Desses, mais de 95% acreditam que a iniciativa trouxe novos conhecimentos sobre a Lei Maria da Penha.