Fico triste de continuar escrevendo e explicando as razões da criminalidade e ações dos bandidos em nosso dia a dia. Mas tristemente, desde 2002 quando iniciei a dissertar sobre o tema, muito pouco foi feito e anos depois continuamos lutando para termos digna sensação de segurança, quando deveríamos lutar para termos segurança efetiva.

 

Você sabe porque matam nossos policiais? Porque “não dá nada” e infelizmente esta sensação que o Brasil construiu em nossos delinquentes levará muitas gerações para talvez um dia ser corrigida. Trato desse assunto, pois os últimos casos de mortes de policiais em atividade parece que está chocando nossa comunidade. Mas essa realidade tristemente não é nova.

 

Enquanto tivermos pessoas tentando defender os direitos dos delinquentes com mais afinco do que os direitos de pessoas que seguem as leis (normalmente vítimas) e fazem com que as mesmas sejam cumpridas (nossos heroicos policiais), sempre teremos essa distorção criada em nosso país. Uma total inversão total de valores.

 

Acho muito estranho pessoas que defendem com unhas e dentes os direitos dos delinquentes, sendo que as mesmas quando são assaltadas, me contatam para saber como achar seu carro, celular ou notebook que fora suprimido em ação criminosa. Questionam como poderíamos recuperar seus pertences, e nesses momento tratam tais delinquentes com muita raiva. Não se dão conta que suas teorias que protegeram e impulsionaram criminosos ao longo dos anos, podem acabar refletindo negativamente a si e seus próprios familiares.

 

Vivemos num país onde temos a falência total da segurança pública, prova disso é a sociedade civil tendo que se organizar para dar esmolas ao estado em busca de recursos da sociedade para doar equipamentos as polícias dos estados, caso isso não ocorra, os policiais não conseguem sair de seus batalhões por falta de combustível em viaturas. Não bastasse isso, muitos estados estão parcelando o pagamento de salários dos servidores da segurança pública.

 

Vivemos o caos no sistema penitenciário brasileiro há muitos anos, onde o número de mandatos de prisão expedidos é quase o mesmo número de presos em cárcere, e ainda temos ditos “especialistas” que consideram que prender não é a alternativa correta. Ora, se a lei determina que crimes cometidos possuem penas, qual seria a solução se não obrigar tais infratores a cumprir o que a lei determina? Chegamos ao ponto de juízes interditarem presídios, pois não há condições de colocar mais nenhum preso naquele ambiente, por falta de espaço físico!

 

Nosso código penal traz tantas facilidades e regalias aos delinquentes que automaticamente promove em pessoas de baixa renda uma falsa sensação de que efetivamente, o crime compensa. Temos no Brasil uma legislação extremamente branda. Prova disso são constantes matérias de jornal relatando casos de delinquentes que mesmo após terem sido presos diversas vezes no mesmo ano e pelo mesmo tipo de crime, permanecem na rua dando sequência em seus crimes. Outra facilitação são os benefícios garantidos pelo estado às famílias dos presos, ao invés de promovermos ações que demonstrem as inúmeras adversidades caso alguém daquela família seja preso, passamos a ideia que a vida fica mais fácil, ainda mais tratando-se de pessoas de baixa renda. Nem vou tratar do caso que na cadeia os delinquentes estão protegidos contra membros de facções rivais, com a segurança paga pelo estado, ou seja, pelos cidadão vítimas desses delinquentes.

 

Nossas famílias estão destroçadas. Vivemos na época que os filhos mandam em casa, são eles que definem a hora que comem, dormem, tomem banho, que canais a televisão deve sintonizar. Sem falar dos mimos exagerados: querem sempre os tênis recém lançados, celulares de última geração com apenas 5-6 anos de idade, desrespeitam pais e avós na frente de outras pessoas, enfim …são tratados como Reis e pior, orgulham seus pais por isso. Onde na verdade não tem limites. Ora, se não damos limites em casa, quem será responsável por impor esses limites?

 

Outro tema relevante que impacta e reflete diretamente no comportamento das famílias brasileiras é o consumo de produtos do comércio ilegal, como: remédios, televisores, celulares, peças de veículos e até canais de tv provenientes da pirataria. Quanto mais a sociedade consome produtos que são frutos de crimes, marca negativa do Brasil, os mal feitores ganham mais recursos para ampliar suas ações. Precisamos entender que qualquer tipo de crime deve ser combatida e desestimulada sempre, porque pelo volume de crimes em nosso país, certamente quem fomenta o crime também será uma próxima vítima.

 

Em nosso país invertemos totalmente os valores. É comum ver bandido ser considerado “suspeito” pela mídia, mesmo que as imagens ilustrem claramente a situação criminosa. Policiais envolvidos em confrontos com criminosos são considerados abusadores de poder, mesmo que seus oponentes estejam portando fuzis ou metralhadoras. O bandido quando é preso deve ser atendido pela justiça em até 24 horas após a prisão, para saber se foi bem tratado pelo sistema policial, enquanto por outro lado as vítimas se quer são ouvidas. Vivemos no país que os professores são espancados pelos alunos, que uma autoridade policial é esculachada por delinquentes, onde crianças sentam e idosos ficam em pé em ambientes públicos.

 

Não temos mais noção dos princípios de moral e ética, perdemos toda a noção de educação. Pessoas que não gozam do direito estacionam seus carros em vagas de idosos e portadores de deficiência, ás vezes atravessam seus carros em 2 ou 3 vagas no supermercados e acham que estão com a razão. Vivemos num país permeado de corrupção em todas as instâncias do estado e não sabemos o porquê chegamos a essa triste situação.

 

Com tudo isso, acabamos chegando a triste realidade da banalização da vida humana. Hoje, temos números de homicídios que superam mortes em países que vivem em estado de guerra. Isso, porque não damos mais valor a vida humana, seja de um cidadão de bem ou de um policial que mesmo sem salário digno, sem equipamentos adequados, sem treinamento mínimo necessário, sem residência em locais distintos dos delinquentes, seguem 24 horas por dia, 7 dias por semana, arriscando suas vidas para proteger a sociedade.

 

Espero ter ilustrado algumas razões chaves que NÃO impedem um delinquente de atirar em policiais durante uma operação. Chegamos ao ponto de delinquentes não terem medo de serem identificados, perseguidos e presos, pois como diz a gíria do mundo do crime, “NÃO DA NADA, MANO”!

 

GUSTAVO CALEFFI, DSE

AUTOR LIVRO: CAOS SOCIAL – A VIOLENTA REALIDADE BRASILEIRA

ESPECIALISTA EM SEGURANÇA ESTRATÉGICA

CEO APP BE ON – SEGURANÇA COLABORATIVA