Fico abismado quando leio os jornais todos os dias e as manchetes estampam assuntos de segurança pública como sendo sempre novidades. Atualmente o tema em voga é o crescimento da ‘alarmante’ taxa de homicídios de Porto Alegre. O problema é que essa taxa já é alta faz muito tempo, mas apesar disso cada vez que temos uma pesquisa divulgada, o assunto em questão toma as manchetes como sendo uma grande surpresa. E não é.

A cultura que temos em nossa sociedade porto-alegrense e gaúcha, é extremamente reativa quando se trata de segurança pública. Vejo constantemente assuntos serem destaque por poucos dias, discutirmos em programas de debates aquele tema, mas efetivamente nada ser feito pelos órgãos competentes. Até que ocorre um novo episódio com características idênticas, para então voltarmos com a mesma discussão de poucos dias anteriores.

As perguntas feitas naturalmente nesses momentos se repetem, como neste caso: qual a solução imediata para a redução da taxa de homicídios? E a expectativa é ter uma única resposta, simples e mágica. Mas infelizmente, isto não é simples assim, se fosse, não estaríamos sempre batendo na mesma tecla e tendo anualmente incrementos desse tipo de crime.

O homicídio é um crime que ocorre, em sua grande maioria, relacionado ao tráfico de drogas. Se o homicídio está aumentando, o tráfico e os traficantes da mesma forma, mas temos a tendência de achar que simplesmente aumentando o policiamento estaremos atacando este problema.

O tráfico de drogas é um problema sistêmico de nossa sociedade, e cresce pois o volume de usuários também cresce, com isso a demanda segue o mesmo caminho. Enquanto não tratarmos dessa epidemia, através de políticas sociais e de saúde pública, em breve, muito em breve, estaremos novamente tratando esse assunto como uma novidade nas manchetes.