A ausência de manchetes de ações policiais ao longo do Brasil, após um dos eventos de maior risco nacional – a definição pelo TRF4 da manutenção da pena de um ex-presidente nacional, o qual ainda conta com uma parcela de apoio popular -, demonstra a eficiência e o sucesso do planejamento e da operação dos órgãos de segurança pública na grande maioria dos estados da nação.

Certamente um trabalho integrado entre as forças de segurança nacional e estaduais, foi primordial para obtenção de resultados positivos para a segurança da população. Poucos casos orquestrados, em inúmeras manifestações de apoio ao ex-presidente Lula, na grande maioria, organizados por grupos historicamente agressivos e intimidadores, foram neutralizados em seus inícios, não permitindo maiores consequências aos manifestantes, ao restante da população e as autoridades policiais. Caso raro nesses tipos de manifestações populares.

Muito se discutiu ao longo dos últimos dias sobre o aparato policial que faria a proteção, principalmente da cidade e das imediações do fórum onde ocorreu o julgamento. O que mais me chamou atenção foi a quantidade de pessoas leigas que criticaram o planejamento dos órgãos competentes. Como especialista na área de segurança, não consegui compreender o receio, principalmente de agentes da imprensa, a respeito de, por exemplo, “snipers” posicionados em pontos estratégicos na região. Pior, cheguei a ouvir que esta é uma prática em desuso nos outros locais do mundo (o que tecnicamente não é verdade).

Não lembro de fazer uma cirurgia e perguntar ao cirurgião quais os equipamentos seriam empregados em meu procedimento, nem quantas pessoas seriam escaladas para estarem na sala e, muito menos, questionei qual o tipo de lâmina seria utilizada no bisturi. Jamais fiz isso por me considerar incompetente no assunto. Agora, no quesito segurança, leigos se encorajam para dar “pitacos” e supor, inconsequentemente, como deveria ser o planejamento e a atuação de especialistas em segurança pública. Porém, neste segundo caso, se algo der errado não morrerá apenas um paciente e um único erro pode causar um desastre com inúmeros mortos e feridos.

No momento em que o “julgamento” foi marcado e determinado onde aconteceria, coube sim aos órgãos de segurança pública planejar e empregar todo o aparato necessário, segundo análise de riscos, para garantir a integridade dos julgadores, dos acusados, dos defensores, dos manifestantes, dos cidadãos comuns e dos agentes de segurança pública. Diga-se de passagem, não foram poucas as ameaças públicas por parte dos apoiadores do ex-presidente de criação de caos e guerra, caso o resultado fosse desfavorável à eles.

Fico feliz de, após o evento, NÃO ler nas manchetes: “mas se a polícia sabia, porque não fez nada?”. Caso houvesse erro no planejamento e na operação policial, certamente o único assunto tratado no dia seguinte pelos veículos de comunicação seria a cobrança dos órgãos de segurança pública, das razões e motivos dos erros de suas atuações, o que comumente costuma acontecer em dias seguintes a manifestações populares.