Mensurar os riscos e a incerteza são a nova matéria-prima do estudo de mercado e de sua nova realidade empresarial“.

Philip Kotler

Toda a empresa com visão no futuro e na sua prosperidade possui seu planejamento estratégico. Nele encontra-se o destino de onde a empresa pretende estar posicionada em determinado período de tempo e como chegar até lá, normalmente no longo prazo. O planejamento seria como uma carta de navegação para o capitão de uma embarcação, representando, de certa forma, um conforto, pois aponta os caminhos e muitas vezes até as alternativas caso tenha de mudar sua rota para chegar ao seu objetivo.

Nesta ultima década; porém, os especialistas desta importante ferramenta de gestão empresarial passaram a rever sua metodologia. Dois fatores de portentoso impacto mudaram a realidade do planejamento, e navegar rumo aos objetivos corporativos se tornou ainda mais complexo. O já tão falado atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 mostrou ao mundo a fragilidade trazida para a sociedade nas disputas ideológicas e econômicas, no ambiente corporativo mostrou a necessidade de melhoria no desenvolvimento das áreas de segurança, gestão de crises e continuidade dos negócios, dando o status a estes temas de estratégico e saindo do escopo de diferencial competitivo para uma necessidade essencial da empresa. E no ano passado, a crise econômica que balançou a estrutura de corporações sólidas até o mercado da esquina, fez com que nações poderosas repensassem seu modelo econômico capitalista, e as empresas se deram conta de que quando o mar está muito calmo é sinal de que uma terrível tempestade pode chegar. E o principal, de que não estavam preparadas para enfrentá-la.

Neste contexto, as empresas devem abandonar os pilares de estabilidade e segurança em que construíram suas políticas, suas táticas e suas ações. O planejamento estratégico corporativo continua de extrema importância, porém com foco direcionado a estudos antes não tratados em profundidade; como: a inteligência competitiva e todo o ambiente que envolve a concorrência em determinado setor de mercado; a efetiva construção de cenários e contingências para mudanças representativas do ambiente; e o estudo e monitoramento dos riscos ao qual a empresa esta exposta e a conseqüente preparação estrutural para administrar as possíveis crises.

E o que mais chama atenção nesta nova era, é que ela não tem nada de novo. Ataques terroristas nos remetem a antes do século XIX, passando pelos Brigadas Vermelhas na Itália, o IRA na Irlanda, a OLP, o grupo de Abu Nidal e por ai exemplos não faltam, sem citar o terrorismo de Estado. E a grande depressão de 1929, quando ações da bolsa de valores de Nova Iorque despencaram e levaram o mundo a uma crise econômica que perdurou durante quase uma década. Certamente estes fatos históricos não foram esquecidos. O que ficou no esquecimento foi a preparação de empresas e governos para enfrenta-las; afinal, a história se repete.